it is the unknown we fear when we look upon death
and darkness, nothing more.

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Um projeto de história.
domingo, 7 de fevereiro de 2010, 04:24

A rua apinhada deixava pouco espaço para andar. Alexa esgueirava-se ágil por entre os transeuntes carregando um pacote pardo nos braços. Sua expressão poderia se confundir com qualquer uma dos executivos preocupados que caminhavam por aí. Os cabelos vermelhos deixavam um rastro por onde a mulher passava, mas agora ela não estava muito preocupada com cautela. Tinha pressa de chegar em casa, e se conseguisse passar por mais dois quadras, estaria enfim lá. O sol já ia abaixando e a multidão não parecia esmorecer. Alexa já havia começado a se arrepender de ter saído aquele horário quando enfim alcançou a escada manchada do prédio. Era um pequeno prédio de apartamentos, com dez andares. Sua fachada era pálida e pouco se destacava perto dos edifícios comerciais vizinhos. Era, por assim dizer, uma má escolha para quem odiasse trânsito e movimentação. A rua estava sempre cheia, e o que não faltava era confusão em horários cheios como aquele. A mulher pulou as escadas de um salto e passou veloz pelo porteiro, que gritou:

            - A senhora um dia ainda me mata de susto!

            Alexa apenas sorriu para si em resposta, e entrou na porta que levava as escadas internas. Quatro lances depois, saiu no hall correspondente ao segundo andar. Isso fazia o apartamento parecer ainda melhor aos olhos dela, pois não precisava usar elevador, uma vez que ficava no segundo andar. O cheiro de café enchia o hall, e Alexa sabia que vinha de seu apartamento. Sem pressa, dessa vez, abriu a porta e entrou. A mobília rala e desaparelhada, o lugar parecia uma casa de família modesta. Era sempre Alexa quem brincava com isso, fazendo comentários que sugeriam que ali morava uma família respeitável. Na verdade, moravam três mulheres. Ou garotas. Na cozinha, em frente ao fogão e mexendo em várias panelas ao mesmo tempo, estava Galadriel sua irmã mais velha. Dividiam o apartamento desde que Galadriel terminara a faculdade e se mudara para a cidade da irmã.

Alexa fechou a porta e caminhou silenciosamente até a irmã. Ela não tinha percebido a aproximação, e continuava de costas. A caçula apertou-lhe a cintura e a fez dar um salto para trás.

- Você tá louca, Al? Quer que eu derrube uma panela de água quente?

- Não, só quero que você se assuste mesmo. – Riu Alexa. – Então, como estão os planos para hoje a noite?