it is the unknown we fear when we look upon death
and darkness, nothing more.

Aqui é um espaço pra idéias.
Não se perca ao entrar no meu infinito particular.
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WhiteHeart no País das Maravilhas
quinta-feira, 10 de setembro de 2009, 19:46

Sonhei acordada. Imaginei que um dia eu e você seríamos nós, e que tudo ao redor mudaria. Nossas mãos se juntariam, nossos olhos se encontrariam, e nada seria capaz de quebrar o elo feito naquele momento. As estrelas pairariam sobre nossas cabeças, iluminando a noite, seduzindo os casais com seu brilho. A Lua, então, nem se fala. Estaria linda, redonda, como uma esfera de gelo a sorrir do céu. Acordei sorrindo, e percebi a realidade como um tabefe. Nada daquilo existia. Nossa distância era maior em nossas mentes que em nossos corpos, eu sentia. Pude quase ouvir seu sussurro enquanto sonhava, mas agora o barulho da cidade enchia o cômodo. Olhei sem pestanejar ao redor. Tentei voltar ao sonho, às imagens, às sensações... Não consegui. Seu rosto ainda parecia flutuar à minha frente. Era um misto de carinho, compreensão, segurança, não sei explicar. Era como se tudo que eu precisasse um dia estivesse na minha frente, a um palmo de distância. Teu olhar tenro ainda sustentava em meus olhos, enquanto eu via a imagem se dissipar. “Se foi”, eu pensei. Como fui tola. Você estava gravado em minha memória. Nada apagaria. Nem a mais profunda das raivas, nem todo o meu sofrimento apagariam teus olhos de mim. Ninguém seria capaz de suspeitar, seria o nosso segredo. Uma lembrança e todos os meus pesares iriam eternamente. E ainda sinto tudo que um dia senti. É difícil admitir. Cada vez que olho o céu, lembro-me de ti. Lembro das palavras que não foram ditas, das músicas que não foram compartilhadas, e meu olho se enche de água, que custo a admitir, são lágrimas. Não posso mais ouvir seu nome, meu coração salta dentro de mim, passo a prestar atenção à cada palavra que é dita. Minha concentração não é mais a mesma. Me perco em devaneios, sentindo o seu perfume entrar na minha narina. Inspiro profundamente, mas nada sinto. Você está longe demais. Ouço sua voz, fecho os olhos e espero. Atenta à cada sílaba, à cada som, te ouvindo rir e sentindo o maior dos prazeres. Tua alegria sincera me espanta, ativa cada célula de minha pele, me arrepio. Não enxergo nada a teu redor, não sei com quem andas, não faço a mínima idéia de quem sejam seus amigos. A única coisa que sei é que seus lábios se movem graciosamente durante a fala, são irresistíveis, não é possível tirar os olhos deles. Seu cabelo cai no olho, você não liga. Daqui à alguns instantes está levando a mão aos fios, jogando-os pra trás num movimento leve, discreto. Você já tem esse costume. É uma marca. É lindo. Seu caminhar, leve, silencioso, é algo indescritível. Não há palavras com que possa definir, é como observar um movimento livre, como alguém em um palco de dança. Mas não é ritmado. É solto, livre. Nunca entenderei direito como é, mas admiro como quem admira uma coreografia. Percebo suas mãos se movimentando para lá e para cá, num movimento incessante, em meio ao diálogo. Estão completando suas palavras. Elas são finas, as mãos. Talvez delicadas, mas prefiro não pensar assim. São mãos bonitas, elegantes, de dedos retos. Você as movimenta, coloca na cintura, sinto tremer. Como eu desejaria um dia essas mãos em minha cintura, em meu pescoço, em meu rosto... Pena que tudo isso não passe de um sonho.
whiteheart, 05/08/08.